LER/DORT não é doença de escritório. Na desossa, o risco ergonômico é alto, a NR é exigente e a rotatividade por lesão compromete produtividade.

Norma regulamentadora específica, atenção crescente do Ministério do Trabalho, pressão de sindicato, tudo convergindo: ergonomia em sala de desossa deixou de ser tema opcional. Planta que continua tratando como "mais uma exigência burocrática" tende a descobrir, em auditoria ou em ação trabalhista, que o custo de não tratar é substancialmente maior que o de tratar.
Beyond compliance, há razão operacional. Operador afastado por LER (lesão por esforço repetitivo) ou DORT (distúrbio osteomuscular) gera custo imediato — afastamento, substituição, curva de aprendizado do substituto —, e custo indireto — rotatividade do setor, imagem interna. Saúde ocupacional bem cuidada reduz ambos.
Ergonomia na desossa combina três eixos: projeto físico (altura de bancada ajustável por operador, posicionamento de esteira), ferramenta (faca adequada, afiação rotineira, luva que não força postura), organização (rodízio de função, pausa programada, ritmo controlado). Cada um é frente de trabalho própria. Combinados, transformam ambiente que tradicionalmente lesiona em ambiente que apenas exige — sem machucar.
Operação madura trata registro de lesão, afastamento e retorno como dado estruturado, não como arquivo de RH. Análise por setor, por turno, por função revela ponto crítico — e ponto crítico vira projeto. Sem base estruturada, cada caso fica isolado; a causa comum não emerge.
Investir em ergonomia tem retorno em absenteísmo, passivo trabalhista, produtividade e imagem empregadora. Ordenar esses ganhos individualmente é difícil; cada um isoladamente pode parecer menor que o custo. Em conjunto, o retorno compensa várias vezes o projeto.